sábado, 23 de novembro de 2013

As Mães pela Igualdade dizem: Criminalização da Homofobia, PLC 122 agora!




Por que isto é importante

Nós, MÃES PELA IGUALDADE, estamos temerosas pela integridade física e moral de nossos filhos. Somos famílias, bem constituídas, amorosas, trabalhadoras e contribuintes. Fazemos parte desta sociedade e somos eleitores. Nossos filhos são cidadãos até onde sabemos de um país LAICO E DEMOCRÁTICO. 

Estamos vendo diariamente a perseguição dedicada e sistemática que o Poder Legislativo de nosso país faz aos direitos de nossos filhos, afiando as facas do preconceito que vão matá-los ali na frente, sem que, com raríssimas exceções, alguma voz da Casa do Povo se levante para defendê-los. Assistimos a Comissão que deveria proteger nossos filhos se tornar o ninho da homotransfobia. Não podemos mais calar

As estatísticas de ataques homotransfóbicos vem aumentando assustadoramente. Estamos assistindo absurdos como leis contra a violência homotransfóbica serem regulamentadas e publicadas e terem seus atos revogados em menos de 24 horas (caso recente do Distrito Federal). Assistimos impotentes um projeto de lei contra a discriminação, que já abriga vários segmentos da sociedade , inclusive o religioso, pairando sobre o Congresso Nacional por anos, sem que se aprove a inclusão da discriminação contra os nossos filhos. Ontem, assistimos a CDHM da Câmara dos Deputados aprovar dois projetos contra a comunidade LGBT e rejeitar um a favor. 

A comunidade LGBT é imensa e quando somada às suas famílias e amigos é uma parcela tão significativa da sociedade brasileira que se torna absurda a nossa invisibilidade aos olhos do Parlamento. Nós, Mães pela Igualdade, não toleramos mais abusos cometidos contra nossos filhos e filhas e a sorrateira influência religiosa na Casa do Povo do qual fazemos parte

A tendência mundial é o caminhar para um mundo igualitário, com a ausência de todo o preconceito e discriminação, que não seja o nosso país o último a proteger a fragilidade dos seus. Não deixemos que o direito de crer se sobreponha ao direito de SER. 

Por tudo isso pedimos a imediata colocação em pauta, votação sem alterações e aprovação do PLC 122. Terminamos citando Clement Attlee: “A democracia não é apenas a lei da maioria, é a lei da maioria respeitando os direitos das minorias.” 

Saiba mas sobre PLC 122 aqui: http://www.plc122.com.br/entenda-plc122

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Documentário Marise Felix

Marise uma Mãe pela Igualdade!

Esta mãe decidiu lutar!


Simpática, extrovertida e de sorriso espontâneo, Marise Felix da Silva (Foto: Anderson Grossl).
Jussara Andrade
(via www.entreverbos.com.br)
Dizem que os olhos falam a verdade, que através deles percebemos se alguém está nos enganando, mas nem sempre os olhos exteriorizam os sentimentos. É preciso então, que eles deixem de ser holofote! Muitas vezes, tudo o que uma pessoa precisa é ter voz!
Simpática, extrovertida e de sorriso espontâneo, Marise Felix da Silva, é uma mulher de 58 anos, professora do ensino Médio e Fundamental, com uma história belíssima de luta, que percorre um trajeto, talvez longe de ser dado por encerrado, isso porque, lutar pelo que se acredita, é muitas vezes, “nadar contra a corrente”, se opor a diversos pensamentos, se encontrar numa estrada em que você caminha muitas vezes sozinho. É desejar que o seu grito mais íntimo fosse dado à humanidade, para que assim as pessoas saiam da inércia e enxerguem a luz no fim do túnel… E você o sentido da busca!
Foi num dia ensolarado, sentada num banco, que Marise contou fragmentos da sua vida, com detalhes que qualquer história digna de reconhecimento tem no contexto. O calor a obrigou a esconder os olhos atrás de lentes escuras, mas isso não tirou de sua voz imponente a veracidade de suas palavras.
O amor de uma mãe por um filho é capaz de ultrapassar todos os tipos de barreiras, por um filho uma mãe é capaz delutar eternamente, sendo capaz de jamais deixar a mercê de qualquer frustração um ser que a vê como exemplo, como reflexo, como incentivo à vida!
Personagens com tamanho afeto e uma determinação inimaginável estão espalhados por todo o mundo. A história do amor desta mulher por seus filhos, talvez seja o que precisamos para acreditar que as pessoas são bem mais do que aparentam ser, que existe um viver além do que se diz ser o certo e que os olhos podem ser impedidos de ver o mundo(muitas vezes porque não queremos), mas que não há força no universo que cale a voz de alguém que acredita que jamais será tarde demais.



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A minha expectativa para o I Encontro Nacional de Mães pela Igualdade é conhecer pessoas que partilham da mesma especificidade que eu, ou seja, ter filho ou filha homossexual. É muito importante a troca de experiências e a mobilização para ampliar o número de famílias que amam e aceitam seus filhos com as suas diferenças e diversidade. (Lícia Carvalho, Mãe pela Igualdade)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

"Não somos fracos 
Somos sozinhos nesta multidão 
Nós somos só um coração 
Sangrando pelo sonho De viver " 
Lulu Santos




Nos dias 4,5 e 6, próximos , nós ,"Mães pela Igualdade", vamos nos reunir para juntas compartilharmos e planejarmos ações que possam vir a garantir os direitos de nossos filhos e filhas LGBTs. Esperamos que com esse encontro , bem como com a divulgação do mesmo, várias outras mães tomem a iniciativa de juntar-se a nós por essa luta.
Nossos filhos e filhas têm deveres como todo cidadão, mas também têm direitos, que lhes são negados diariamente. Queremos a criminalização da homofobia, o direito ao casamento civil, à adoção de filhos como todo casal hetero tem; além de o direito de passear com seu companheiro ou companheira sem sofrer agressão física ou moral.
Ainda somos poucas, e lutamos por aquelas que por algum motivo, que não cabe a nós julgar, ainda não tiveram coragem de sair do armário de seus filhos, mas quem sabe, com o nosso exemplo, resolvam se juntar nós.
Sangrando pelo sonho De viver (Maria Auxiliadora (Lili), é Mãe pela Igualdade)

sábado, 25 de maio de 2013

No dia 17 de Maio...

Foi eleito o Papa Libério, 39º papa, que sucedeu o Papa Júlio I
Foi celebrado o casamento da princesa Beatriz de Portugal com o rei João I de Castela
Se separaram Ana Bolena e Henrique VIII
Adolphe Sax patenteou o saxofone
Nasceram Enya e o Ayatollah Khomeini
Morreram Botticelli e Donna Summer
Se comemora o Dia internacional da Internet
Mas a única coisa que me interessa hoje é que é o DIA INTERNACIONAL DE LUTA CONTRA HOMOFOBIA.

“Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres” – Simone de Beauvoir.
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Para Simone de Beauvoir, a nossa identidade é fluida, instável e construída a partir de modelos que formam um conjunto performático. Então, a mesma ideia é valida para homens. Eu sempre prefiro acreditar em Simone de Beauvoir que em Marco Feliciano que diz que a palavra homossexual tem que ser banida do dicionário porque no mundo só nasce homem e mulher. É mais um motivo para que eu acredite que o preconceito nasce da ignorância, porque eu duvido que esse senhor saiba, por exemplo, a diferença entre orientação sexual, identidade de gênero e sexo biológico.

E não me espanta, porque, dia desses, tive que ler um e-mail de uma pessoa que passou a entender tudo de homossexualidade porque soube que nasceu uma criança com os dois sexos num hospital. Aí sim… quando se embrulha hermafroditas, homossexuais e transgêneros no mesmo pacote, aí é que está mesmo tudo bem esclarecido. É essa ignorância toda somada ao machismo que é a base da homotransfobia. Gays e lésbicas não deixam nem por um segundo de ser homens e mulheres. Quando eu não entendo de um assunto, eu não discorro sobre ele, e quando não sei uma coisa, eu pergunto ou estudo.
Eu ODEIO todas as ciências exatas e vejo pessoas que, nada, absolutamente nada sabem de sexualidade, discursando e versando com tanta propriedade que me vejo dando instruções para um engenheiro calculista, por exemplo. E não estou dizendo aqui que sei tudo, mesmo porque eu tenho a certeza de que ninguém sabe tudo, mas eu acredito que se existem 8 bilhões de pessoas no mundo, existem 8 bilhões de sexualidades e que cada um deveria cuidar da sua.
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A homotransfobia tem muitos graus e começa quando um ser humano é resumido a uma sexualidade assim como o racismo começa quando um ser humano é resumido à cor da pele. A piadinha inocente é o alicerce do crime homotransfóbico. E a soma das piadinhas inocentes perpetua a homotransfobia. A piadinha é a forma leve de homofobia social.
“Negro, nasce negro, gay não nasce gay”. Mais uma pérola fundamentalista que com o seu manual na mão desafia a genética, a psiquiatria, a psicologia e o direito. E quando o manual não dá conta, recorrem a um tratado de genética do século passado negando toda a evolução da ciência. E desde quando fundamentalista nasce fundamentalista? Ser fundamentalista é opção, obviamente, e, em minha opinião, uma opção legitima.
E estão lá os fundamentalistas e letristas protegidos pela lei do preconceito no item preconceito religioso. Essa lei que em forma de PLC 122 visa proteger também LGBTTs. Mas, como eles são cidadãos de primeira classe, podem ser protegidos e isso não é considerado privilégio, só passa a ser privilégio no momento em que os cidadãos de segunda classe (LGBTTs) lutam para serem inclusos na lei. SE, e eu disse SE, ser homossexual ou TT fosse opção, o que já esta mais que provado que não é, mas SE fosse opção, porque não seria legítimo?
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Gostaria de dizer para Marina da Rede que, antes de querer ser presidenta, ela deveria aprender a diferença de ação e reação, porque o preconceito religioso contra os letristas ao qual ela se referiu ontem não é uma ação, é uma reação à homofobia, e, se não houvesse a homofobia, eu duvido que tivesse um homossexual ou TT no mundo perdendo um segundo que fosse para fazer discurso seja ele a favor ou contra a religião de alguém. E que querer que uma maioria machista e homotransfóbica julgue uma minoria homossexual por plebiscito é o mesmo que colocar nazistas julgando judeus ou a Ku Klux Klan julgando os negros. Plebiscito em caso de minorias é a morte da democracia.
E cada vez que um fundamentalista abre a boca é para desrespeitar alguém. São incapazes de cuidar da própria vida, tanto que enquanto colocam a tarja de estuprador e pedófilo no gay, se esquecem que tem pastor sendo investigado pela PF por isso e MUITO mais. E faz parte das funções da minha luta rezar diariamente, porque eu rezo diariamente, para que a PF descubra cada crime, cada desmando. O preconceito contra o LGBTT é muito cruel. A criança ou o adolescente negro ou judeu tem uma casa para voltar. Nessa casa tem um pai e uma mãe e irmãos negros ou judeus que vão acarinhar e proteger.
A criança e o adolescente LGBTT voltam para um ambiente hostil, não tem mãe, pai ou irmão gay esperando. É dentro da própria casa que começam a ser discriminados, maltratados e muitas e muitas vezes torturados. E da casa passam a sofrer na escola e da escola na vida. E essa realidade é endossada pela piadinha inocente e pela “liberdade de expressão” fundamentalista. Ontem, numa das atividades da semana contra homofobia, na Marcha em Brasília, quando vi a colcha bordada pelas Mães pela Igualdade em parceria com o Famílias Fora do Armário, com o nome das 338 vítimas fatais da homofobia em 2012, dentre elas, Lucas Fortuna, que tinha a mesma idade e profissão do meu filho, chegando à marcha, sendo levada como troféu maior pelas mãos dos nossos meninos e meninas quase crianças, eu não consegui conter as lágrimas.
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Lágrimas de tristeza, de desabafo, de cansaço, de impotência frente à crueldade, de um desejo profundo de poder fazer mais do que eu faço, para que acabe o sofrimento, a tortura e a morte de inocentes. E como já sei que vão dizer o que são 338 frente a 50 mil héteros, já explico que não morreram só 338 gays em 2012. Esses 338 LGBTTs foram assassinados por homofobia, CRIME DE ÓDIO, e se alguém disser ainda assim SÓ 338, vou complementar que NENHUM heterossexual morreu desta forma em 2012. Se me disserem que não são crianças, vou lembrar que Alexandre Ivo tinha 14 anos quando foi assassinado. Que, quando a filha de Angela Moysés foi apedrejada na rua, tinha isso ou pouco mais.
No Brasil, um homossexual é assassinado a cada 26 horas. Eles morrem e são violados e ainda são comparados a bandidos assassinos e drogados. Porque essa perseguição, meu Deus ? Nossa luta é insana, mas vamos vencer, porque o tempo não para e o tempo de cercear direitos, de espalhar ódio, mentiras, torturar e matar está acabando, eu tenho certeza. Eu dedico essa coluna e todos os dias da minha vida aqueles que lutam comigo lado a lado incansavelmente com as armas que temos, a justiça e a razão e sem ganhar absolutamente nada, nada mais que a satisfação de ver uma lei aprovada, uma travesti empregada, uma ação vencida, um menino expulso de casa com um teto sobre a cabeça, uma transexual com direito a nome e história sem precisar nascer de novo, um casal que conseguiu adotar os filhos, uma menina que conseguiu se formar, uma depressão curada, um suicídio a menos.
Eu dedico a toda militância LGBTT, mais um ano de passos dados, de alegrias e vitórias, mas também de lágrimas e injustiças. A todos que doam suas vidas na luta contra homofobia… PRIDE!!!
TODOS CONTRA A HOMOFOBIA, A LESBOFOBIA E A TRANSFOBIA, CARTAZES & TIRINHAS LGBT, NOTÍCIAS AÇÕES E CONQUISTAS LGBT, HISTÓRIAS E SEXUALIDADES, MÃES PELA IGUALDADE, FAMÍLIAS FORA DO ARMÁRIO, ELEIÇÕES HOJE, ATO ANTI-HOMOFOBIA, PEDRA NO SAPATO, GPH, REDE NACIONAL INDEPENDENTE PELA CIDADANIA LGBTT, NOSSOS TONS, FORA DO ARMÁRIO, IVONE PITA, LUÍS ARRUDA, MARCELO GERALD, OTÁVIO ZINI, WILL, MILTON ROCHA JUNIOR, JULIO MARINHO, PAULO IOTTI, GERMANO SANTOS, CLAUDEMIR GONÇALES, ANGELA MOYSÉS, LUIZA RIBEIRO HABIBE, GRAÇA CABRAL, GEORGINA MARTINS, MARCIO MARQUES, PRISCILA BASTOS, LUNNA BARRETO GOMES, SERGIO VIÚLA, PAULO ROBERTO CEQUINEL, LUIZ PARETO, BENJAMIN BEE E TODOS AQUELES QUE NÃO CABERIAM AQUI MAS QUE SE LEVANTAM TODOS OS DIAS PARA LUTAR CONTRA A HOMOTRANSFOBIA…OBRIGADO !!! MUITO OBRIGADO!!!

PS: Não vâo ser tolerados comentários homotransfóbicos neste espaço.
Artigo da Mãe Pela Igualdade Majú Giorgi publicado na sua coluna no site IGay.